Imagem ilustrativa de cirurgia para enxaqueca

Alívio Duradouro para Enxaquecas: Descubra a Cirurgia enxaquecas que Pode Mudar Sua Vida

17 de julho de 2024
Imagem ilustrativa de cirurgia para enxaqueca

Alívio Duradouro para Enxaquecas: Descubra a Cirurgia enxaquecas que Pode Mudar Sua Vida

17 de julho de 2024

Ao falar em cirurgia de coluna algumas dúvidas são bastante recorrentes em meu consultório: “doutor, todo o meu disco será retirado? Minha coluna vai ficar osso com osso? Como vai ficar o meu disco?

Essas são preocupações legítimas sobre a mecânica do próprio corpo. Para responder de forma honesta, precisamos compreender o que é o disco entre as vértebras, como acontece a hérnia e como as cirurgias interferem nessa doença.

Uma breve descrição do disco intervertebral saudável e da hérnia de disco 

Para ajudar você a imaginar como é o disco intervertebral, vou usar uma analogia simples: pense num chiclete Bubbaloo. Aquele que é firme por fora e macio por dentro. O disco é uma estrutura cartilaginosa localizada entre duas vértebras que, assim como o chiclete, é formado por duas partes:

  • Ânulo fibroso – camada externa mais resistente;
  • Núcleo pulposo – região central mais macia.

Diferentemente do Bubbaloo, que tem o recheio líquido, o núcleo do disco é uma cartilagem bem macia. Com essa estrutura saudável, entre cada vértebra da coluna, ocorre o amortecimento e a absorção de impactos dos movimentos que você faz.

O problema começa quando o disco intervertebral se desgasta e sofre alterações em seu formato. Ao se tratar se hérnia de disco, as mudanças são: 

  • Abaulamento – o disco perde um pouco da sua forma original e se projeta discretamente, sem romper suas estruturas;
  • Protrusão –  a deformidade do disco é mais evidente, mas a camada externa ainda está íntegra;
  • Extrusão – o conteúdo interno do disco rompe a parede e pode comprimir estruturas nervosas;
  • Sequestro – em alguns casos de extrusão, um fragmento pode se desprender e migrar pelo canal vertebral.

Qualquer uma dessas alterações pode comprimir as estruturas neurais próximas, causar dor e déficits neurológicos, como:

  • Dor nas costas;
  • Dor irradiada para braços ou pernas;
  • Formigamentos;
  • Dormências;
  • Alterações da sensibilidade;
  • Perda de força;
  • Déficits neurológicos.

Dependendo do quadro clínico, algumas dessas situações podem exigir tratamento cirúrgico. 

Todo o disco será removido na cirurgia?

Geralmente, não é necessária a remoção completa do disco. Especialmente se não houver planejamento prévio, junto ao especialista, para a substituição por prótese. 

O objetivo da cirurgia de hérnia de disco é aliviar a compressão sobre o nervo, ao retirar tecidos doentes. Em geral, fragmentos extrusos ou o núcleo que está prestes a romper o ânulo. Neste caso, abre-se a camada externa e retira-se o interior que está alterado. Quando o ânulo fibroso causa a compressão, sua porção é removida.

O restante do disco é preservado ao máximo para continuar a exercer sua função de amortecimento e espaçamento entre as vértebras. 

Com o processo de cicatrização, ocorre uma reorganização natural dos tecidos e o disco será suportado pelas próprias estruturas da coluna, como ligamentos, articulações posteriores e musculatura. 

Quando há o risco de ficar osso com osso?

A depender de como a hérnia está e da quantidade do disco a ser retirada, pode ocorrer essa condição.

Especialmente, em casos em que grande parte do disco é removida, tanto para descomprimir as estruturas quanto para evitar uma recidiva precoce da hérnia. 

Para exemplificar, voltemos ao chiclete Bubbaloo: ao retirar um pedaço, você sabe que naturalmente o recheio vai vazar. No disco intervertebral é semelhante: ao retirar grande parte da camada externa, o núcleo pulposo restante corre o risco de vazar. Para evitar que você volte a enfrentar esse problema em um curto espaço de tempo, e tenha que voltar para a mesa de cirurgia, observa-se o risco de vazamento do núcleo residual e retira-se parte dele também.

Quando uma quantidade excessiva de disco é removida durante uma cirurgia de hérnia de disco, pode haver diminuição da altura do disco intervertebral e, consequentemente, do espaço entre as vértebras. Nessa situação, o disco perde parte da sua capacidade de amortecimento, o que pode favorecer sobrecarga, colapso discal, instabilidade da coluna e dor persistente.

Mas isso não significa que esse problema sempre vá acontecer. A coluna também tem capacidade de cicatrização e adaptação. Em alguns pacientes, mesmo após a retirada de boa parte do disco, o processo natural de cicatrização pode proporcionar a estabilidade necessária, com melhora dos sintomas e boa evolução clínica.

Quando isso não acontece, os implantes entram em cena.

Cirurgias com implantes: artrodese e artroplastia

Em alguns casos específicos, quando há degeneração importante do disco, instabilidade da coluna ou necessidade de retirada de grande parte do disco intervertebral, pode ser necessário utilizar implantes para restaurar a altura do espaço entre as vértebras e melhorar a estabilidade da coluna.

Existem diferentes tipos de implantes, com finalidades distintas.

Na artrodese, podem ser utilizados cages ou espaçadores intersomáticos, que funcionam como um suporte entre as vértebras. Esses implantes ajudam a manter a altura do espaço discal e favorecem a fusão óssea entre as vértebras, reduzindo o movimento naquele segmento da coluna.

Já na artroplastia, utiliza-se uma prótese de disco artificial, indicada em casos selecionados, com o objetivo de substituir o disco degenerado e preservar parte da mobilidade entre as vértebras.

Portanto, cages e discos artificiais não são a mesma coisa. O cage está geralmente relacionado à artrodese, enquanto o disco artificial está relacionado à artroplastia.

A indicação de cada técnica depende de diversos fatores, como idade, sintomas, grau de degeneração discal, presença de instabilidade, deformidades, compressão neurológica, qualidade óssea e nível da coluna acometido.

Vale destacar que esses implantes não são necessários para tratar a maioria das hérnias de disco. Em grande parte dos casos, as hérnias melhoram com tratamento clínico, fisioterapia e reabilitação.

Quando há indicação cirúrgica, procedimentos menos invasivos, como a remoção endoscópica do fragmento que comprime o nervo, podem ser suficientes, sem necessidade de artrodese ou prótese de disco.

Técnicas minimamente invasivas: cirurgia endoscópica da coluna 

Como o próprio nome diz, a técnica foi criada para resolver problemas que causam os sintomas ao paciente, com a mínima intervenção possível nas demais estruturas saudáveis. 

No caso da hérnia de disco, a cirurgia endoscópica da coluna é o procedimento padrão ouro, que por um pequeno acesso busca descomprimir os nervos preservando ao máximo os tecidos normais.

Ou seja, o especialista avalia o disco como um todo. Quando o ânulo fibroso ainda preserva sua capacidade de contenção e sustentação, geralmente não é necessário remover todo o disco, nem retirar completamente uma protrusão que não esteja causando compressão relevante.

O foco será a descompressão aliada à preservação. 

Procedimentos como a artroplastia e, em casos selecionados, a artrodese (cirurgia que promove a fixação de duas ou mais vértebras, geralmente com o uso de parafusos e outros implantes) também podem ser realizados por técnicas minimamente invasivas.

Quando bem indicadas, essas abordagens podem reduzir a agressão aos tecidos, favorecer menor dor pós-operatória e contribuir para uma recuperação mais rápida. 

Exames pós-operatórios: vou observar se o disco voltou ao normal?

A verdade é que o seu disco não será mais como antes, pois nenhuma cirurgia para tratar a hérnia de disco é estética, com a finalidade de reconstruir um disco que foi parcialmente removido. Ele continuará a existir e ainda estará suscetível a novos desgastes. 

Na maioria dos casos, após a cirurgia não é necessário um novo exame de ressonância magnética para verificar o disco. A melhora dos sintomas será o primeiro indicador para avaliar se a descompressão neural foi alcançada.

A conduta tem embasamento científico: um estudo publicado na revista SPINE, pelo autor Weber, traz dados que podem acalmar o coração de qualquer operado:

  • Em até 47% dos casos, uma ressonância feita seis semanas após a cirurgia mostra uma “massa residual” que parece muito com uma hérnia de disco e corresponde à sangue ou debris cirúrgicos;
  • Em 24% dos casos, observa-se o deslocamento dos nervos, mesmo em pacientes que não sentem dor nenhuma.

O estudo concluiu que nesse período não se deve realizar nova cirurgia com base exclusivamente nas imagens.  

Conclusão

A maioria das hérnias de disco não precisa de cirurgia. Em muitos casos, os sintomas melhoram com tratamento clínico, reabilitação e tempo, já que parte das hérnias pode regredir ou deixar de causar inflamação sobre o nervo.

Quando a cirurgia é necessária, o objetivo não deve ser “remover o máximo possível” ou retirar todo o disco. O foco deve ser resolver o problema principal: descomprimir o nervo, retirando apenas o fragmento que está causando compressão e sintomas.

Em outras palavras, nem sempre é preciso “dar um tiro de canhão” para tratar uma hérnia de disco. Quando bem indicada, uma abordagem mais precisa, menos agressiva e direcionada — como um “tiro de sniper” — pode ser suficiente para aliviar a dor, preservar estruturas saudáveis e favorecer uma recuperação mais rápida.

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Referência:
Weber C, Kvistad KA, Moholdt VA, Nygaard ØP, Solheim O. Repeated 3.0 Tesla Magnetic Resonance Imaging After Clinically Successful Lumbar Disc Surgery. Spine (Phila Pa 1976). 2016 Feb 1;41(3):239-245. doi:10.1097/BRS.0000000000001189
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26866738/

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579

Médico e Neurocirurgião pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP); Doutor em Neurocirurgia (Clínica Cirúrgica) pela Universidade de São Paulo (FMRP-USP), orientado pelo Prof. Dr. Benedicto Oscar Colli; Especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e pela Associação Médica Brasileira (AMB); Especialista em Cirurgia de Coluna pela Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Associação Médica Brasileira (AMB); Linha de Pesquisa em Cirurgia Endoscópica da Coluna desde 2013 pela FMRP-USP com diversos artigos e livros publicados nacional e internacionalmente; elaboração de aulas e cursos nacionais e internacionais sobre Endoscopia de Coluna, e realização de consultorias em todo território nacional ; Neurocirurgião referência do Hospital de Força Aérea de São Paulo (HFASP); Diretor do Amato - Hospital Dia;

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O que acontece com o disco intervertebral após uma cirurgia de hérnia de disco: a verdade que não te contam
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