
Síndrome do Desfiladeiro Torácico
31 de maio de 2021Cirurgia de Hérnia de Disco: O Que Realmente Acontece com o Disco?

Introdução
Na cirurgia de hérnia de disco, todo o disco é removido? Se a hérnia é completamente retirada, a coluna fica osso com osso? Fique conosco até o final deste artigo para entender todos os detalhes!
Compreendendo a Hérnia de Disco
Inicialmente, é importante compreender a natureza da doença. O disco intervertebral é uma estrutura cartilaginosa composta por uma camada externa mais resistente, chamada ânulo fibroso, e uma parte interna mais gelatinosa, conhecida como núcleo pulposo. Uma analogia comum é compará-lo ao chiclete Bubbaloo, embora o núcleo do disco não seja líquido, mas sim mais mole que a capa externa. A principal função do disco intervertebral é absorver o impacto entre duas vértebras.
Com o desgaste do disco intervertebral, é comum ocorrerem abaulamentos e protrusões tanto do ânulo quanto do núcleo. Em alguns casos, a capa pode se romper, resultando na extrusão do núcleo do disco. Essas alterações, seja a protrusão, extrusão ou abaulamento, podem comprimir as estruturas neurais, causando dor e déficits neurológicos, sendo passíveis de tratamento cirúrgico.
O Procedimento Cirúrgico
Durante a cirurgia, se a maior parte do ânulo for removida, o disco fica muito aberto e a maior parte do núcleo também precisa ser retirada para evitar a recidiva precoce da hérnia de disco. Nessa situação, a preocupação do paciente em ficar com osso sobre osso é válida. Geralmente, não há necessidade de remoção total do disco, especialmente se não houver planejamento para a colocação de uma prótese entre as vértebras. O disco remanescente, juntamente com os ligamentos e articulações posteriores da coluna, mantém as vértebras no lugar, permitindo a cicatrização no local do disco. No entanto, se a remoção do tecido discal for muito agressiva, pode haver colapso vertebral, resultando em dor e necessidade de procedimentos futuros.
O Que Deve Ser Removido na Cirurgia
O objetivo da cirurgia de hérnia de disco é remover a parte do disco que está comprimindo o nervo, geralmente formada pela parte extrusa do núcleo que saiu do lugar ou pela parte do núcleo que está prestes a sair, mas ainda contida pelo ânulo. Nesse caso, o ânulo é aberto e o núcleo doente é retirado. O restante do disco é poupado ao máximo para que continue exercendo sua função de absorção de impacto.
Técnicas Cirúrgicas e Implantes
Existem técnicas cirúrgicas em que a maior parte do disco é removida, com a colocação de um implante entre os corpos vertebrais, conhecido como cage ou espaçador intersomático. Esses implantes podem funcionar como um calço ou como discos artificiais, que absorvem impacto e permitem a mobilidade do segmento. Cada técnica tem sua indicação específica e raramente é necessária para o tratamento da hérnia de disco. Na maioria dos casos, a hérnia de disco melhora com tratamento clínico, e cirurgias mais simples, como a remoção endoscópica dos fragmentos que comprimem o nervo, associadas à reabilitação pós-operatória, são suficientes.
Cirurgias Minimamente Invasivas
Um dos objetivos das cirurgias minimamente invasivas da coluna é a remoção da compressão neural, preservando as estruturas sadias. É importante entender que a cirurgia de hérnia de disco não é uma cirurgia estética do disco, mas sim uma cirurgia para liberar o nervo. Não há necessidade de remover todo o disco ou toda a protrusão, especialmente se o ânulo fibroso ainda puder exercer sua função de espaçamento entre os corpos vertebrais, mantendo o núcleo remanescente no lugar, absorvendo impacto e promovendo uma boa movimentação entre as vértebras.
Exames Pós-Operatórios
Muitos pacientes questionam se, após a cirurgia, será necessário realizar um exame para verificar se a hérnia foi totalmente removida. É importante destacar que um exame pós-operatório não é necessário na maioria dos casos, pois se houve melhora da dor, é porque a compressão neural foi aliviada. Um estudo publicado na revista “SPINE” por Weber et al. demonstra que um exame de imagem (ressonância) realizado após a cirurgia de hérnia de disco pode apresentar massa residual sugestiva de hérnia em até 47% dos casos se feito após seis semanas. Essa massa pode ser confundida com hérnia de disco, mas é normalmente presente. Além disso, o deslocamento dos nervos pode ser observado em 24% dos casos após seis semanas, sendo normal em pacientes assintomáticos. O estudo conclui que a conduta nesses casos deve ser expectante, ou seja, os pacientes não devem ser submetidos a nova cirurgia se estiverem iguais ou melhores do que antes da cirurgia.
Conclusão
A maioria dos casos de hérnia de disco dolorosa se resolve em algumas semanas, e hérnias de disco são frequentemente observadas em ressonâncias magnéticas de pacientes assintomáticos. Portanto, não há sentido em realizar a “retirada total da hérnia”. O que precisa ser feito na cirurgia é a descompressão neural.
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