O que acontece com o disco intervertebral após uma cirurgia de hérnia de disco: a verdade que não te contam

24 de junho de 2026

O que acontece com o disco intervertebral após uma cirurgia de hérnia de disco: a verdade que não te contam

24 de junho de 2026

Dor lombar, instabilidade da coluna e formigamentos nas pernas podem estar relacionados, entre outras doenças, à espondilolistese.

O nome pode causar certa estranheza, mas é o eleito para traduzir que uma vértebra saiu do lugar ou que a coluna está escorregando.

Neste artigo, você vai compreender o que é essa alteração da coluna, por que ela pode causar dor e limitação, e quais as opções de tratamentos.

O que é espondilolistese?

A espondilolistese acontece quando uma vértebra desliza sobre a vértebra de baixo.

Isso não ocorre de forma súbita na maioria dos casos, mas sim como consequência de um problema progressivo: a perda de estabilidade da coluna.

A palavra vem do grego:

  • Spondylos = vértebra;
  • Olisthesis = escorregamento ou luxação.

Trata-se de uma das formas mais frequentes de instabilidade da coluna vertebral, podendo atingir cerca de 5% da população.

Para entender melhor, imagine a coluna como uma estrutura formada por blocos empilhados (as vértebras). Esses blocos são mantidos alinhados por três sistemas principais:

  • Discos, que funcionam como amortecedores e ajudam na sustentação;
  • Articulações posteriores, que funcionam como trilhos que guiam e limitam o movimento;
  • Ligamentos, que atuam como fitas de contenção para manter tudo no lugar.

Quando uma vértebra escorrega sobre a outra, o encaixe desse complexo sistema deixa de ser tão firme. Nessa perda de estabilidade, a coluna perde parte da sua capacidade natural de sustentar e movimentar o corpo de forma equilibrada. Assim, músculos, ligamentos e articulações passam a trabalhar mais para compensar a sustentação.

Quais são os sintomas da espondilolistese?

Os sintomas vão surgir de acordo com a gravidade da doença, avaliada pelo grau de escorregamento da vértebra. Quanto maior o grau de listese, maior a possibilidade de instabilidade e compressão das estruturas nervosas.

Seguimos a classificação de Meyerding, que indica:

  • Grau I: até 25%;
  • Grau II: entre 25% e 50%;
  • Grau III: entre 50% e 75%;
  • Grau IV: acima de 75%.

Em muitos pacientes, essa perda de estabilidade é pequena e bem tolerada. Em outros, pode evoluir ao longo do tempo e, associada à compressão das estruturas nervosas, justificar um tratamento cirúrgico para restabelecer a estabilidade da coluna.

Dependendo da intensidade e da região afetada, podem surgir:

  • Dor lombar;
  • Piora da dor ao permanecer muito tempo em pé;
  • Desconforto ao permanecer sentado por períodos prolongados;
  • Dor durante a caminhada;
  • Sensação de limitação da mobilidade da coluna.

Nos casos mais graves, de comprometimento neurológico, podem ocorrer sintomas como:

  • Formigamentos;
  • Dormência;
  • Sensação de anestesia nas pernas;
  • Perda de sensibilidade;
  • Perda de força nos membros inferiores.

Quando esses sintomas aparecem, a avaliação por um especialista em coluna torna-se ainda mais importante.

Por que a coluna escorrega?

Existem diferentes motivos que levam ao quadro de espondilolistese. A seguir, apresento os cinco tipos e o que compromete a estabilidade em cada caso:

1) Espondilolistese ístmica – a mais comum em adultos jovens. O problema está em uma região específica da vértebra chamada pars interarticularis. Acontece quando está alongada ou fraturada. Esportes que sobrecarregam a coluna lombar (ginástica, futebol, levantamento de peso) podem causar microfraturas repetidas que, quando não cicatrizam bem, podem provocar uma falha na vértebra e levar ao deslizamento.

2) Espondilolistese degenerativa – mais comum em idosos, ocorre pelo desgaste ao longo do tempo. Discos intervertebrais perdem altura e elasticidade; articulações posteriores (facetas) ficam artrósicas; ligamentos degeneram e ficam mais frouxos.

3) Congênita ou displásica – neste caso, a pessoa já nasce com uma alteração na formação da vértebra, como facetas e geometria óssea desfavorável desde o início.

4) Póstraumática – decorre de um trauma importante, como queda, acidente, impacto forte. Fratura direta nas estruturas de suporte (principalmente facetas ou arco posterior) causa perda imediata da estabilidade.

5) Patológica – acontece quando uma doença enfraquece o osso, como tumores, infecções, doenças metabólicas ósseas. O osso perde resistência e cede. Todos os tipos de espondilolistese podem provocar instabilidade e sintomas semelhantes.

Quais exames ajudam no diagnóstico?

O diagnóstico pode ser realizado inicialmente através do raio X simples.
Entretanto, outros exames fornecem informações importantes para o planejamento do tratamento:

  • Tomografia computadorizada – permite avaliar melhor as estruturas ósseas e identificar fraturas da porção interarticular;
  • Ressonância magnética – é fundamental para analisar discos intervertebrais, raízes nervosas, presença de compressão neural, estruturas ligamentares.

A combinação entre história clínica, exame físico e exames de imagem é que permite definir a melhor conduta para cada paciente.

Tratamentos conservadores

O objetivo do tratamento da espondilolistese é, primeiramente, promover alívio dos sintomas. Na maioria dos casos, a primeira opção é o tratamento conservador, que pode incluir:

  • Medicamentos;
  • Fisioterapia;
  • Modificações de atividade;
  • Uso de coletes (para algumas situações).

Muitos pacientes apresentam boa evolução sem necessidade de cirurgia.

Quando a cirurgia pode ser indicada?

Se você prefere uma explicação em vídeo, preparei um resumo sobre a espondilolistese. Assista e depois continue a leitura:

A cirurgia costuma ser considerada quando existe:

  • Falha do tratamento conservador;
  • Piora progressiva da doença;
  • Lombalgia incapacitante;
  • Instabilidade radiológica associada a sintomas;
  • Escorregamento superior a 50%;
  • Presença de déficit neurológico, como perda de força ou alteração de sensibilidade.

Nessas situações, o objetivo passa a incluir a estabilização da coluna e a proteção das estruturas nervosas.

Como é feita a cirurgia da espondilolistese?

Existem diferentes técnicas cirúrgicas, mas o objetivo é sempre o mesmo:

  • Descomprimir os nervos;
  • Restaurar a estabilidade ao segmento comprometido da coluna.

Em casos de descompressão de estruturas neurológicas, a cirurgia endoscópica da coluna, minimamente invasiva, pode ser indicada.

Para restaurar a estabilidade da coluna, isoladamente ou combinada com a descompressão neural, pode ser indicada a cirurgia de artrodese, que consiste na colocação de parafusos ou outros implantes para a fusão óssea.

Existem situações em que a artrodese pode ser realizada através de técnica minimamente invasiva, como a Artrodese Lombar Endoscópica, que utiliza endoscopia para descompressão de estruturas neurais, acesso endoscópico para colocação do cage intersomático (cages expansíveis) e colocação de parafusos percutâneos.

A indicação para cada caso vai depender da avaliação clínica e dos exames de imagens.

Existe cura para a espondilolistese?

Embora o escorregamento anatômico da vértebra não retorne espontaneamente à posição original, a cura do quadro clínico, ou seja, a eliminação da dor e o retorno à qualidade de vida, é perfeitamente alcançável.

O foco do tratamento é a remissão dos sintomas e a estabilização da coluna.

Conclusão

Receber o diagnóstico de espondilolistese não significa, necessariamente, que a cirurgia será inevitável.

Grande parte dos pacientes evolui bem com tratamento conservador e acompanhamento adequado.

Entretanto, quando existe instabilidade importante, progressão da doença ou comprometimento neurológico, a cirurgia pode ser indicada com o objetivo de descomprimir os nervos e estabilizar a coluna.

Por isso, mais importante do que o resultado do exame é a correlação entre as imagens, os sintomas e a avaliação individualizada de cada paciente.

Você sente dor lombar persistente ou incômodos nas pernas que não passam? Não espere a dor limitar sua rotina. O diagnóstico precoce é o maior aliado para evitar que uma instabilidade leve se torne um problema maior.

Referências

1. Devlin VJ. Spine Secrets. 2nd ed. Philadelphia: Hanley & Belfus; 2003.
Disponível em: https://www.amazon.com/Spine-Secrets-Plus-Vincent-Devlin/dp/1560535497

2. Braga FM, Melo PMP. Neurocirurgia: Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar. UNIFESP / Escola Paulista de Medicina. Barueri: Manole; 2005.
Disponível em: https://www.amazon.com.br/Neurocirurgia-Medicina-Ambulatorial-Hospitalar-Unifesp/dp/8520418532

3. Margetis K, Gillis CC. Spondylolisthesis. StatPearls Publishing; atualização em 28 de março de 2025.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430767/

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579

Médico e Neurocirurgião pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP); Doutor em Neurocirurgia (Clínica Cirúrgica) pela Universidade de São Paulo (FMRP-USP), orientado pelo Prof. Dr. Benedicto Oscar Colli; Especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e pela Associação Médica Brasileira (AMB); Especialista em Cirurgia de Coluna pela Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Associação Médica Brasileira (AMB); Linha de Pesquisa em Cirurgia Endoscópica da Coluna desde 2013 pela FMRP-USP com diversos artigos e livros publicados nacional e internacionalmente; elaboração de aulas e cursos nacionais e internacionais sobre Endoscopia de Coluna, e realização de consultorias em todo território nacional ; Neurocirurgião referência do Hospital de Força Aérea de São Paulo (HFASP); Diretor do Amato - Hospital Dia;

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Espondilolistese: o que é o escorregamento da vértebra e como é tratado
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