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Cisto perirradicular ou sito de Tarlov, lesão na coluna vertebral.

Cistos perirradiculares são lesões que dificilmente causam sintomas mas podem necessitar de neurocirurgia.

O Que é o Cisto de Tarlov? Uma Visão Detalhada

O Cisto de Tarlov, também conhecido como cisto perirradicular, representa uma condição encontrada com certa frequência na coluna vertebral. Esses cistos se desenvolvem no espaço perirradicular, uma região próxima às raízes nervosas da espinha dorsal. Apesar de sua presença ser relativamente comum, muitas pessoas podem viver sem sequer saber que possuem essa condição, visto que, na maioria dos casos, ela não manifesta sintomas e não exige um tratamento específico.

Identificando os Sintomas do Cisto de Tarlov

Embora a presença do Cisto de Tarlov na coluna vertebral seja frequentemente assintomática, não afetando a qualidade de vida do indivíduo, existem casos em que sintomas podem surgir, indicando a necessidade de atenção médica. Reconhecer esses sinais é fundamental para buscar diagnóstico e tratamento adequados. Abaixo, detalhamos os sintomas mais comuns associados a esta condição:

Dor Significativa: Um dos sintomas mais relatados é a dor intensa na região lombar, podendo irradiar para as pernas. Determinadas posturas ou movimentos podem variar a intensidade desta dor e agravá-la

Alterações Sensoriais: Formigamento ou dormência nas extremidades, especialmente nos braços ou pernas, podem indicar a compressão de raízes nervosas pelo cisto.

Fraqueza Muscular: Pode-se experimentar uma redução na força muscular, o que afeta a capacidade de realizar atividades cotidianas.

Disfunções Autonômicas: Problemas urinários ou intestinais, como incontinência ou dificuldade de esvaziamento, podem ser sintomas de cistos de Tarlov que afetam as funções autonômicas do corpo.

Comprometimento do Equilíbrio e Coordenação: Desequilíbrio ou dificuldades de coordenação motora podem surgir, impactando a mobilidade e a segurança ao caminhar.

Frequência e Diagnóstico dos Cistos de Tarlov

Pesquisas indicam que pequenos cistos, geralmente assintomáticos, podem ser encontrados em cerca de 5 a 9% da população geral. Essas formações, muitas vezes imperceptíveis, raramente causam desconforto ou necessitam de intervenção médica. Por outro lado, cistos de maior tamanho são consideravelmente mais raros, destacando-se pela sua baixa incidência na população. 

Além disso, estima-se que aproximadamente 33% das pessoas possam ter cistos em diferentes partes do corpo. As áreas mais propensas a desenvolver essas formações incluem o abdome, as mãos e os pulsos. Essa distribuição sugere uma variedade de tipos de cistos, cada um com suas características e potenciais impactos na saúde.

Exames de imagem, como a ressonância magnética da coluna vertebral, são eficazes em identifica os cistos de Tarlov. Pacientes e familiares podem ficar preocupados ao ver esse termo mencionado em laudos médicos. No entanto, é importante entender que a presença desses cistos não implica automaticamente em riscos significativos para a saúde.

Riscos Associados aos Cistos de Tarlov

Embora a maioria dos Cistos de Tarlov seja assintomática e não represente uma ameaça imediata à saúde, em casos raros, eles podem crescer a ponto de pressionar as estruturas nervosas adjacentes, o que pode levar a sintomas como dor, alterações na sensibilidade ou mesmo dificuldades motoras. É crucial, portanto, uma avaliação médica detalhada para determinar a necessidade de intervenção.

Tratamento: Quando é Necessário?

O tratamento para os Cistos de Tarlov é indicado apenas em situações onde há manifestação de sintomas significativos ou quando o cisto apresenta um crescimento considerável que possa afetar a funcionalidade das estruturas nervosas. As opções de tratamento variam desde procedimentos minimamente invasivos, como a drenagem do cisto, até intervenções cirúrgicas mais complexas, dependendo da gravidade e dos sintomas apresentados pelo paciente.

**Tratamentos Disponíveis**

A maioria dos casos não requer tratamento específico. Mas alguns casos podem necessitar de alguma intervenção. O tratamento do cisto de Tarlov geralmente varia conforme a gravidade dos sintomas. Alguns pacientes podem se beneficiar do tratamento conservador, enquanto outros podem precisar de intervenções cirúrgicas mais invasivas. As opções de tratamento disponíveis são:

  • Tratamento Conservador

— Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para aliviar a dor

— Fisioterapia para fortalecer os músculos ao redor da coluna vertebral

Injeções epidurais de corticosteroides para aliviar a inflamação local

  • Intervenções Cirúrgicas

— Drenagem do cisto para remover o excesso de líquido cerebro-espinal acumulado

— injeção de cola de fibrina no interior do cisto para reduzir risco de recidiva.

— Remoção parcial ou total do cisto para aliviar a pressão sobre os nervos da coluna vertebral

Lembrando que a intervenção cirúrgica para tratar o cisto de Tarlov é considerada um procedimento pouco comum, consistindo na abertura e drenagem do líquido do cisto. Há registros de procedimentos neurocirúrgicos para a remoção dos cistos e aplicação de suturas na meninge, visando prevenir a recorrência. Contudo, os estudos sobre os resultados dessas operações são escassos e encontram-se limitados na literatura médica. A complicação mais significativa após a cirurgia é a ocorrência de fístula liquórica, caracterizada pelo vazamento de líquido cefalorraquidiano no local operado, podendo este fechar por si só ou requerer uma intervenção cirúrgica adicional.

Conclusão

O Cisto de Tarlov é uma condição comum que, na maioria das vezes, não representa um motivo de grande preocupação. No entanto, estar informado sobre sua natureza, potenciais sintomas e opções de tratamento é essencial para aqueles diagnosticados com essa condição. A consulta e acompanhamento com um neurocirurgião especialista em coluna são suficientes para monitorar a condição e garantir que qualquer mudança significativa seja prontamente abordada.

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579
Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579
Médico e Neurocirurgião pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP); Doutor em Neurocirurgia (Clínica Cirúrgica) pela Universidade de São Paulo (FMRP-USP), orientado pelo Prof. Dr. Benedicto Oscar Colli; Especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e pela Associação Médica Brasileira (AMB); Especialista em Cirurgia de Coluna pela Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Associação Médica Brasileira (AMB); Linha de Pesquisa em Cirurgia Endoscópica da Coluna desde 2013 pela FMRP-USP com diversos artigos e livros publicados nacional e internacionalmente; elaboração de aulas e cursos nacionais e internacionais sobre Endoscopia de Coluna, e realização de consultorias em todo território nacional ; Neurocirurgião referência do Hospital de Força Aérea de São Paulo (HFASP); Diretor do Amato - Hospital Dia;

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Entenda o Cisto de Tarlov: O que Você Precisa Saber
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